Biografia

Por que eu criei o Mother Off The Map

Esta página existe pra responder a uma pergunta que muita gente me faz: por que essa mulher, com a carreira que ela tinha, resolveu recomeçar do zero pra construir isso? A resposta não cabe numa frase de efeito. Cabe na minha história — e é essa história que eu conto aqui.

Adriana Carneiro

Adriana Carneiro · Miami, FL

Antes de Miami

Meu nome é Adriana Carneiro. Sou jornalista de formação, com MBA pela FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), em São Paulo, concluído em 1998. Construí, ao longo de 25 anos, uma carreira em comunicação corporativa no Brasil — e não foi uma carreira discreta.

Comecei como jornalista e assessora de imprensa no ITEC, entre São Paulo e Buenos Aires, no comecinho dos anos 2000 — período em que fui assessora de imprensa do banqueiro Roberto Setubal. Depois, entre 2007 e 2008, fui cofundadora e produtora de eventos na Twins Eventos. Em março de 2007 me tornei sócia-proprietária e diretora de Comunicação da AML Transportes, cargo que ocupei por nove anos, até 2016 — e foi nesse período, em novembro de 2015, que recebi dois reconhecimentos nacionais e internacionais de comunicação corporativa: o Prêmio Águia Americana (Melhores do Ano, Instituto Nacional da Qualidade Social) e o Latin American Quality Award, do Latin American Quality Institute. Em 2016 fundei a minha própria empresa, a Fortune Logística & Transportes, da qual fui dona e diretora de Comunicação até 2018. Em 2012 fui selecionada — num processo concorrido, de admissão seletiva — pra o programa "10.000 Mulheres Empreendedoras", da FGV (Fundação Getúlio Vargas) em parceria com a Goldman Sachs Foundation.

Tem um fio que atravessa esses 25 anos sem interrupção: desde 2015, e ainda hoje, sou editora e revisora de conteúdo publicitário para uma empresa de mídia em São Paulo, Brasil. Onze anos seguidos do mesmo trabalho — atravessando a minha mudança para os Estados Unidos e continuando durante todo o meu período como estudante F-1. Pra mim, é prova de que consistência nunca deixou de fazer parte de quem eu sou, mesmo quando tudo em volta mudou.

Os oito anos em Miami

Cheguei a Miami em 20 de dezembro de 2017, com visto F-1. Não vim atrás da minha carreira — vim atrás do melhor para a minha família. Deixei para trás 25 anos de trabalho construído com muito esforço, uma rede profissional inteira, um nome que eu tinha levado décadas pra consolidar.

Em status F-1 contínuo e regular, primeiro me dediquei a aprofundar o meu inglês, depois a estudos acadêmicos formais. Eu fiz parte do Orlando Mastermind Group, uma comunidade de desenvolvimento empreendedor nos Estados Unidos.

Mas o que ninguém vê num currículo é o resto. É resolver consulta médica, reunião de escola, imprevisto, emergência, numa língua que ainda não era minha por completo. É perceber que a rede de apoio doméstico e de cuidado com os filhos que eu sempre tive no Brasil — a minha mãe, as minhas irmãs, as vizinhas, as empregadas de confiança de anos — simplesmente não existia aqui. É chegar à perimenopausa sem um médico que falasse a minha língua ou entendesse o meu contexto cultural. É enfrentar tudo isso, majoritariamente, sozinha.

Em dezembro de 2025, numa noite comum, depois que todas as minhas obrigações do dia tinham sido cumpridas e a casa finalmente ficou em silêncio, eu senti uma coisa que não sabia nomear. Não era tristeza. Não era cansaço. Era ausência. Percebi que tinha passado tanto tempo sendo tudo para todo mundo que, em algum momento, sem perceber, eu tinha parado de ser alguma coisa para mim mesma.

Tentei os conselhos de autoajuda genérica que encontrei por aí. Pioraram as coisas. Foram escritos para uma vida completamente diferente da minha.

O que confirmou que eu não estava sozinha

Se fosse só a minha história, talvez eu tivesse guardado essa percepção pra mim. Mas não foi só a minha história. Eu comecei a reparar o mesmo padrão se repetindo em outras mulheres à minha volta — recém-chegadas ou já estabelecidas há anos, brasileiras, latinas, imigrantes, na faixa dos 45, 50 anos ou mais.

Mulheres que também tinham vindo pros Estados Unidos seguindo a carreira do marido ou o futuro dos filhos, não o próprio caminho. Que também tinham perdido a identidade profissional que um dia as definiu. Que também navegavam um país sem rede familiar de apoio, numa segunda ou terceira língua. Que muitas vezes chegavam à perimenopausa ou à menopausa sozinhas, sem um cuidado que parecesse humano ou fosse compreendido na própria língua.

Muitas dessas mulheres estavam se aproximando do mesmo ponto de virada silencioso: os filhos começando a sair de casa pra a faculdade, e uma pergunta estranha, assustadora e ao mesmo tempo cheia de esperança começando a aparecer — quem eu me torno agora?

Foi aí que a pergunta que eu tinha feito pra mim mesma, naquela noite de dezembro de 2025, deixou de ser só minha. Virou uma necessidade que eu reconheci em muitas outras mulheres — e foi isso que me fez começar a construir a marca @motheroffthemap.

Onde eu estou agora

Hoje, estou terminando um programa de formação profissional de um ano em Terapia Holística — o método Versalhes, Método Alma, sob orientação da terapeuta Larissa Topper. É importante ser precisa aqui: essa é uma formação explicitamente não clínica, voltada para apoio entre pares e facilitação de grupos. Ela me dá ferramentas de técnicas terapêuticas holísticas, suporte ao bem-estar mental e práticas de "holding space" — criar espaço seguro pra que alguém seja ouvido. Não sou psicóloga, terapeuta nem conselheira licenciada, e o projeto que estou construindo não exige esse tipo de licenciamento, porque foi estruturado, desde o início, como apoio entre pares não clínico, com encaminhamento obrigatório a profissionais licenciados sempre que necessário.

A marca @motheroffthemap — presença no Instagram e um blog dedicado — ainda está em desenvolvimento e teste, e ainda não foi lançada publicamente. Este projeto, como um todo, é uma construção cuidadosa e em andamento, não um serviço já em operação.

Isso nunca foi sobre construir um aplicativo para mulheres imigrantes na meia-idade. Foi sobre construir o círculo de apoio que eu precisei e não encontrei.

O grupo online já está começando: um espaço fechado no Facebook, aberto a mulheres em português, inglês e espanhol — cada uma escreve no seu próprio idioma.

Essa história virou uma missão.